Estudar na Coreia do Sul: uma entrevista com Viviane Sampaio!

57991_630880220259560_1616884175_n
Estudar na Coreia do Sul é o sonho de muita gente. Imagine só, ir para um país mais desenvolvido, onde seus ídolos vivem, com gente diferente e ter a oportunidade de aprender muita coisa nova. Parece um sonho, certo?! Mas e quando isso acontece, como é chegar num local totalmente diferente, cheio de gente desconhecida e começar do zero?
Hoje nós vamos conversar com a Viviane Sampaio, também conhecida como Vivi. A fofa já deu uma entrevista pro site, mas junto com suas amigas do ShineeWorld Br. Agora ela vem sozinha responder algumas perguntinhas sobre como é viver na Coreia. A gatinha foi fazer alguns períodos de sua graduação na Coreia pelo Ciência sem Fronteiras, programa do governo que leva os alunos mais incríveis pra estudar fora. Vamos ao que interessa e saber um pouco mais sobre o dia a dia de uma brasileira normal, numa Coreia comum.
Como foi pra você receber a notícia de que iria para a Coreia do Sul estudar? 
Eu nunca fui do tipo de pessoa que quer viajar e conhecer o mundo, eu tive de ser convencida pelo meu namorado, haha. Então quando passei, fiquei meio “uhuu, Coreia” e meio “oh droga, um ano longe de todo mundo”.
Como sua família reagiu?
Essa é uma história engraçada. Minha mãe odiava a ideia, porque nós não temos muito dinheiro, eu como mal, etc. Então eu não contei nada durante o processo! Foi bastante difícil porque tive de arranjar o passaporte sozinha (com o namorado, mas mesmo assim), autenticar documentos, foi uma experiência interessante. Eu contei pro meu irmão quando estava esperando a resposta da faculdade e a reação dele foi muito positiva, o que me deixou animada. Depois que foi decidido que eu ia, contei pra minha mãe no estilo “você não tem como me impedir”. Ela aceitou depois de ver quanto dinheiro a gente ganha, mas continuou preocupada, haha. Meu pai foi muito de boas, tipo “ah, você vai pra Coreia? Legal, me traz um celular”.
A viagem, como foi?
Os voos pra Ásia saem geralmente de São Paulo, então tivemos de ir pra lá e aproveitamos pra ficarmos por uns três dias. De lá, fomos até Dubai, num voo de 18 horas de duração. Pra mim foi bem tranquilo, assisti uns três filmes, a comida era decente e eu dormi bastante. Em Dubai nós trocamos pra um voo pra Coreia, de 4 horas. Esse eu não consegui dormir, porque tinha um monte de coreanos no avião e eu estava animada, haha.
1472870_770851236262457_1770467170_n
Eu já vi você comentando no twitter que tem alguns problemas com a comida coreana, como foi se adaptar com a alimentação e o que você fez pra poder não parar de comer?
A comida é o problema número um de todos os intercambistas. Um amigo do edital passado ao nosso nos apresentou as coisas que ele gostava e os restaurantes botam fotos nas vitrines, então entrávamos e experimentávamos. Eu tenho um probleminha com comida que não cabe falar sobre aqui, então o meu cardápio é bem pequeno. Eu morei no meu próprio apartamento, então tive uma cozinha e tudo o mais, dava pra fazer arroz, frango, macarrão. Mas também rolou muito McDonalds, haha.  Aqui tem uns 3 ou 4 restaurantes brasileiros, mas eu não vou muito porque é caro.
As amizades, como foi começar do zero nas salas de aula? 
Foi bem tenso, porque a minha faculdade é só de mulheres, mas o meu curso no Brasil tem mais homens. Dava uma agonia olhar pro lado e ver centenas de meninas, haha.
Os professores, como te trataram? E os colegas de classe?
A minha faculdade é a terceira com mais estrangeiros na Coreia, então eu não era nada de outro mundo. A maioria dos professores não me dava atenção especial, só um de programação, porque o programa que usamos era em coreano. As colegas me ignoravam completamente, e isso acontece com todos os intercambistas. Eles só falam com você se for pra fazer um trabalho, aí são seus melhores amigos, até o trabalho acabar.
Como você era/é tratada ao descobrirem que é brasileira?
Eles acham o máximo! “Samba! Futebol!”, essas coisas. O MMA também faz sucesso, muita gente falava do Anderson Silva. Os mais velhos sempre falam “tá bom”, era uma marca de refrigerante, a propaganda fez muito sucesso e eles lembram até hoje.
O que te assusta mais na cultura coreana e que foi difícil de aceitar no dia a dia? 
Hmm, não é algo que me assusta, mas eu não gosto do ritmo de trabalho daqui. A jornada dura em média 14 horas e todo mundo faz hora extra pra impressionar o chefe, sendo que essas horas extras, que costumam ser umas 2 a 4 horas, não são pagas.
E o que foi mais tranquilo e você levou de boa, colocando como parte da sua vida?
Ah! Coisas simples tipo tirar os sapatos antes de entrar, se curvar para cumprimentar, receber as coisas com as duas mãos… No começo, é besteira, mas com o tempo pega e você não consegue mais nem dar dinheiro de um jeito normal! Vai soar bobo, mas é comer com palitinhos, estou levando um conjunto de metal pra continuar no Brasil. E separar o lixo, eles não tem espaço pra ter lixões, já que o país é minúsculo, então separar o lixo é obrigatório.
1463726_749352465079001_550353516_n
O idioma, como foi aprender?
Eu amo aprender novas línguas, então é meio fácil pra mim. Só que estou aprendendo sozinha, porque o curso da Ewha é intensivo e não dá pra fazer o coreano e ter aulas normais. Por mim, estudaria só coreano, mas o CsF exige que façamos aulas dentro das áreas tecnológicas.
Eu já te ouvi comentando sobre um trabalho que tinha (ou ainda tem) e traduzia coisas. Como foi recebida nesse novo emprego?
Ah, o meu estágio! Nós temos a obrigação de estagiar nas férias. O meu atual é com um professor polonês, mas em Julho eu trabalhei na Boram, uma empresa pequenininha de engenharia ambiental. Os chefes foram super legais (é o CsF que arranja estágio em empresas, então eles sabem que somos do governo), o CEO geralmente ficava na sede no interior, mas quando ele vinha, ficava super animado, porque ele já foi no Brasil e amou. Todo mundo era bem mais velho, então era tudo muito quieto. Eles aceitaram de boas eu não comer comida coreana, o chefe me deixava trazer meu próprio almoço e eu ficava no escritório enquanto eles iam em um restaurante. Eu traduzia documentos em português de Angola pra inglês, eles estão ajudando a construir um shopping lá.
Quais dicas você daria pra alguém que quer ir fazer CsF na Coreia?
Não tragam nada. Sério. Vocês vão comprar muita coisa e vai ser um inferno na hora de voltar.
A questão do transporte, como é se locomover em um local que tu não conhece e que mal pode pedir socorro caso se perca? 
O metrô é sensacional. Eles tem milhares de estações, se você se perder andando, é só seguir em frente que uma hora você acha alguma estação. Tudo tem escrito em inglês, é uma maravilha. Os ônibus são um pouco mais complicados, os táxis são baratos, mas já aconteceu de falar lugar X e o cara entender um lugar no outro lado da cidade.
944217_650108808336701_1954990864_n
Você teve alguma experiência com idols? 
Eu tenho dois posts (e farei mais) no SHINee World Brasil sobre as minhas experiências com o SHINee. Além deles, não há muitas coisas… Eu já fui entrevistada pelo Speed pra um programa de variedades, mas eu nem sabia quem eram eles, haha! Eu já vi a Seohyun do SNSD passar muito rapidamente, e um cara não-identificado do BTS passou atrás de mim para ir no banheiro durante um programa. Também assisti a Luna do f(x) e o Ryeowook do SuJu no High School Musical.
Num geral, quais os prós e os contras de se morar/estudar na Coreia?
É um país absurdamente seguro, e as instalações das faculdades são uma coisa linda. Mas prepare-se para não ter amigos coreanos, ou pelo menos nenhuma coisa profunda. E para comer comida ruim.
Você sentiu um nível de dificuldade maior na faculdade coreana do que na do Brasil?
As aulas que fiz na Coreia são de Design de Produto, que é bem diferente do que eu estudo, então não tenho como responder. Mas eles simplesmente não ensinam a pensar, só a decorar respostas.
11494_718728621474719_2036322877_n
Seu gosto musical, lembro de ter lido você dizer que no Brasil só ouvia K-Pop, foi pra Coreia e só ouvia música brasileira, conte mais sobre essa mudança.
É que a minha mãe ama escutar MPB e tal. Quando você está em outro país, é reconfortante ouvir a sua língua, então eu escutava até Ai Se Eu Te Pego, porque me dava uma sensação de casa.
Saudades de casa, sei que seu namorado também mora ai, como é pra você viver de um lado do mundo e manter contato com a família e amigos que estão do outro. 
Eu sou uma pessoa horrível e não mantenho contato com ninguém, haha! Fora amigos com quem já falava só pela internet, eu não falo regularmente com ninguém. Se eu conversar, fico com saudades e triste, então só fico postando fotos e curiosidades no facebook, para saberem que estou viva.
Preços, o custo de vida, sai mais em conta na Coreia ou no Brasil?
Moradia é beeem caro, comida depende de você, coisas tecnológicas são um tantinho mais baratas, roupas e cosméticos são super baratos (a não ser que você queira algo de marca), acho que no geral é parecido. Qualquer emprego paga bem aqui, então acho que é de boas.
O clima na Coreia é bem diferente, com invernos intensos e verões insuportáveis, como você lida com isso? 
Eu reclamo muito no twitter, haha! O verão é insuportável mesmo, Fortaleza não é úmida e tem vento, Seul é o contrário e é simplesmente horrível. Até de noite era quente! O inverno desse ano está super amigo, mas o do ano passado, quando cheguei, também era bem tenso. Não é divertido sentir você perdendo a movimentação do braço…
Me fale um pouco da sua rotina, do seu dia a dia.
Não tem nada demais. A Coreia é outro país, mas não é outro mundo. As únicas diferenças são que de vez em quando eu saio por aí andando sem rumo, dá pra achar tanta coisa interessante quando a gente se perde! Atualmente, como estou indo embora, minha rotina é acordar, decidir quais pontos turísticos visitar hoje e ir!
540602_630878280259754_401471480_n
Então galera, é basicamente isso. Espero que tenham gostado e conseguido sanar algumas duvidas sobre como seria viver na Coreia. Como a Vivi disse, ela está voltando depois de passar um ano lá e pelo visto terá muitas lembranças boas desse país que tanto amamos.

Matéria do KPOPNOW .

0 comentários:

Postar um comentário

-->