Gigantes da internet pedem transparência após escândalo de vazamento de dados

Apple, Google, Facebook, Twitter e Microsoft e mais de 50 grupos enviam carta a Obama sobre monitoramento


O presidente Barack Obama tem sido pressionado para esclarecer melhor os programas de vigilância (REUTERS/Larry Downing )
O presidente Barack Obama tem sido pressionado para esclarecer melhor os programas de vigilância
Washington – Os programas de vigilância da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos são o alvo de uma mobilização gigantesca de empresas de informática, grupos de pressão e de defesa dos direitos civis contra o governo do presidente Barack Obama. As companhias citadas pelo programa Prism, cujos dados foram alvo de monitoramento do governo, se uniram para pedir maior transparência de como a prática de espionagem funciona.
O grupo enviou uma carta ao presidente Obama e aos presidentes do Congresso dos Estados Unidos solicitando que as empresas sejam autorizadas a publicar informações sobre as demandas do governo americano a respeito de seus usuários. No entanto, as empresas de telefonia, também envolvidas no Prism, não fazem parte do grupo e não assinaram a carta.
 A carta pede autorização para tornar públicos os números dos pedidos do governo sob a proteção jurídica do Ato Patriótico, lei criada no governo do presidente George W. Bush para combater o terrorismo. A lei é usada desde então para uma série de programas secretos e serve como base para ações do governo americano não autorizadas pelas leis comuns.
O programa foi revelado pelo técnico de informática Edward Snowden, que prestava serviço terceirizado para a NSA. As informações divulgadas pelo jornal britânico The Guardian mostraram que o governo americano tem acesso a milhões de ligações telefônicas nos Estados Unidos e a dados privados de usuários das companhias como Google, Facebook, Yahoo, devassando contas e e-mails em todo o mundo, incluindo o Brasil.
 A carta é apenas mais um reflexo da crescente preocupação da sociedade com relação às informações divulgadas por Snowden, atualmente vivendo na área de trânsito de um aeroporto de Moscou e acusado pelo governo americano de terrorismo. “Durante anos foi publicada informação básica sobre como o governo utiliza suas leis para autorizar uma investigação sem que tenha havido aparentemente nenhuma interrupção nas investigações penais”, diz um trecho da carta. E segue: “Pedimos permissão para que a mesma informação relacionada com a segurança nacional se coloque à disposição do público. Essa informação sobre como e com que frequência o governo está utilizando essas autorizações legais é importante para o povo americano, que tem direito a ter um debate público sobre a idoneidade das ditas autorizações e seu uso.”
 A carta também pede ao Congresso que aprove leis exigindo maior transparência do governo em relação aos programas que se escondem por trás do Ato Patriota, classificados como secretos pelo Executivo. Apesar do sintomático silêncio das autoridades da NSA desde as revelações de Snowden, o esforço concentrado de poderosos grupos e empresas deve manter o debate aceso e pode fazer com que o governo de Obama tenha que dar mais do que os esclarecimentos e justificativas vagos feitos até o momento.
 Solidários
 Manifestantes foram ontem às ruas em várias cidades brasileiras para exigir que o governo reconsidere o pedido de asilo feito por Edward Snowden, o analista de inteligência que expôs para o mundo o esquema de espionagem dos EUA. Os protestos, batizados Snowden Day e organizados pelo movimento Juntos e pelo Partido Pirata do Brasil, ocorreram em Brasília, Belo Horizonte, Recife, Belém, Porto Alegre e São Paulo. Os ativistas enviaram carta ao governo na qual expõem a fragilidade da segurança brasileira diante do esquema de espionagem americano e pedem que o governo receba Snowden no país ou garanta sua chegada à América Latina – possivelmente, com destino à Bolívia ou à Venezuela, que já ofereceram asilo.
 LIVRO
 O jornalista Glenn Greenwald, do periódico britânico The Guardian, lançará no início de 2014 um livro com materiais adicionais sobre as ações do governo dos Estados Unidos e a "extraordinária cooperação" de empresas privadas em uma megaoperação de espionagem pelo mundo. Glenn Greenwald assinou contrato com a editora Macmillan para lançar o livro. Autor de três livros nos quais denuncia a violação de direitos individuais pelo governo dos EUA em nome da segurança nacional, Greenwald vem publicando uma série de reportagens baseadas nos documentos vazados pelo técnico Edward Snowden.
 MANNING
 Uma juíza militar dos Estados Unidos se recusou a rejeitar a acusação de "cumplicidade com o inimigo" contra Bradley Manning, o soldado que admitiu ter vazado milhares de documentos secretos ao WikiLeaks. A defesa entrou com recurso para que o ex-analista fosse considerado inocente dessa acusação, pela qual poderia ser condenado à prisão perpétua. Mas a juíza considerou que a acusação tinha apresentado provas suficientes para sustentar a denúncia de que ele tinha conhecimento de que poderia estar colaborando com a rede Al-Qaeda. O julgamento na base militar de Fort Meade, em Maryland, começou em junho e está previsto para terminar no final de agosto.

0 comentários:

Postar um comentário

-->