Seul apresenta míssil capaz de atacar Coreia do Norte

Ameaça é reação do país vizinho ao 3º teste norte-coreano de bomba atômica

Ministério da Defesa sul-coreano apresentou à imprensa imagens do míssil que foi mobilizado recentemente
Ministério da Defesa sul-coreano apresentou à imprensa imagens do míssil que foi mobilizado recentemente (AFP)
A Coreia do Sul disse nesta quinta-feira que pode bombardear a vizinha Coreia do Norte caso se sinta na iminência de sofrer um ataque, e mobilizou um novo tipo de míssil de alta precisão, dois dias depois de um teste de bomba atômica feito pela terceira vez pelo Norte. O ministério da Defesa sul-coreano apresentou à imprensa imagens do míssil que foi mobilizado recentemente, e que pode ser disparado a partir de um barco de guerra ou de um submarino.
"O míssil de cruzeiro apresentado hoje é uma arma guiada de precisão que pode identificar e atacar a janela do gabinete de comando do quartel-general do Norte", disse à imprensa Kim Min-Seok, porta-voz do ministério. Seul havia anunciado na quarta-feira que reforçará seu sistema de mísseis balísticos, dotando-os de um alcance suficiente para cobrir toda a Coreia do Norte.
A Coreia do Norte diz que o teste serviu para reforçar suas defesas diante da hostilidade dos EUA, e repetiu seu alerta de que poderá realizar ações ainda mais agressivas caso sofra novas sanções. Estados Unidos, Japão, Europa e até a China, única aliada importante do regime comunista norte-coreano, recriminaram o teste, que desafia as proibições da ONU.




Em outubro do ano passado, a Coreia do Sul fez um acordo com os Estados Unidos para quase triplicar o alcance de seus sistemas de mísseis e melhorar assim seu dispositivo, em resposta aos programas de mísseis e nuclear da Coreia do Norte. Os Estados Unidos têm 28.500 homens mobilizados na Coreia do Sul, dando uma certa segurança em caso de ataque nuclear. Em troca da proteção, a Coreia do Sul aceita limitar seu sistema de mísseis.
Energia nuclear - Também nesta quinta-feira, especialistas sul-coreanos em energia nuclear afirmaram que não detectaram isótopos radioativos no teste nuclear da Coreia do Norte. Oito amostras foram analisadas, mas nada foi encontrado, segundo a Comissão de Segurança Nuclear da Coreia do Sul. Se alguns isótopos – de xênon, principalmente – fossem encontrados, isso ajudaria os especialistas a determinar se um dispositivo com base de plutônio ou urânio foram usados.
Japão - Já o Japão, que teria pouca capacidade de reagir a uma ameaça norte-coreana, por causa de restrições impostas por sua Constituição pacifista, disse ter o direito de desenvolver tal capacidade em razão das mudanças na situação regional de segurança - mas afirmou não ter planos de fazer isso no momento.
"Quando uma intenção de atacar o Japão for evidente, a ameaça for iminente, e não houver outras opções, o Japão está autorizado por lei a realizar ataques contra alvos inimigos", disse o ministro da Defesa, Itsunori Onodera. "Dado o ambiente político do Japão e a diplomacia orientada para a paz que temos observado, esta não é a hora de fazer tais preparativos", acrescentou.
Qualquer sinal de desenvolvimento militar do Japão deve irritar os vizinhos China e Coreia do Sul, que têm vívidas memórias das agressões imperialistas japonesas no século 20. De qualquer forma, é improvável que os Estados Unidos - que atuam como credor perante Seul e Tóquio - permitissem uma escalada num eventual conflito com a Coreia do Norte.


Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, conversou por telefone com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, sobre o teste nuclear norte-coreano, e reafirmou o compromisso de Washington com a segurança japonesa. "Eles prometeram trabalhar estreitamente juntos na busca por uma ação significativa no Conselho de Segurança da ONU, e cooperar a respeito de medidas voltadas para impedir os programas nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte", disse a Casa Branca em nota depois do telefonema.
(Com agências EFE e Reuters)

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