Cenas de tortura afastam telespectador de "#Amor e Revolução"


Cenas de tortura afastam telespectador de
"Amor e Revolução" estreou, no dia 5 de abril, no #SBT
Com a proposta de levar o público aos porões da ditadura militar no #Brasil, "Amor e Revolução" estreou, no dia 5 de abril, no SBT, recheada de cenas de ação e violência. Tudo para mostrar aos telespectadores, da maneira mais fiel possível, as formas como os comunistas eram torturados pelos militares. No papel, a ideia era empolgante e inovadora. Mas, na prática, não funcionou tão bem. Com média de cinco pontos no Ibope e pico de nove, a trama passou por ajustes e exibirá muito menos sequências de afogamentos, choques, espancamentos e estupros.

"Eu notei que havia uma fuga da audiência nesses momentos. As pessoas colocavam em outros canais porque, provavelmente, ficavam nervosas com as cenas. No início, achei que isso não iria acontecer, porque estamos acostumados a ver violência em outras novelas. Pensei que seria algo natural, mas, no fim, por ser uma história inspirada em fatos reais, o público ficou mais tenso do que se fosse uma obra totalmente ficcional'', pondera o autor do folhetim, Tiago Santiago.

Diante da rejeição do público, o novelista pretende continuar mostrando a revolução, mas, agora, com intensidade moderada. "Vamos deixar a agonia dos torturados de fora da novela. Os depoimentos no final já cumprem bem a função de contar que existiram esses crimes terríveis naquela época'', explica Santiago, referindo-se aos personagens reais que encerram a trama falando de suas experiências.

Com isso, outros assuntos devem ganhar evidência, como já aconteceu com o beijo lésbico entre Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre) no início do mês, o primeiro da teledramaturgia brasileira. "Também aposto no triângulo amoroso entre a Jandira (Lúcia Veríssimo), o Batistelli (Licurgo Spínola) e o jovem Bartolomeu (Fábio Rhoden) e no caso dos padres Bento (Diogo Savala Picchi) e Inácio (Pedro Lemos), que colocarão em questão o celibato'', adianta o polêmico escritor.

Mundo mais violento

Apesar de ter um volume de cenas chocantes muito maior do que as concorrentes, "Amor e Revolução'' não é a única a pesar a mão no derramamento de sangue. Em "Insensato Coração'', por exemplo, Norma (Glória Pires) já roubou, esfaqueou e até matou uma pessoa sufocada. Sem contar que, vira e mexe, a novela tem pancadaria e tiroteio.

O cenário é totalmente diferente do visto em "Vale Tudo'' (1988), outro sucesso de Gilberto Braga, que está sendo reprisada pelo canal a cabo Viva. Na trama, a vilã maligna Odete Roitman consegue arruinar a vida de todos os seus inimigos sem disparar uma bala sequer.

Na opinião do pesquisador da área de teledramaturgia da USP (Universidade de São Paulo) Claudino Mayer, as produções refletem a sociedade atual. "As novelas mudaram porque o mundo mudou, de um modo geral. "Vale Tudo' retratava a corrupção, porque os crimes do colarinho branco estavam mais na moda, não havia tanto crime hediondo'', esclarece.

Autora de "Vidas em Jogo'', da Record, trama que terá assassinatos em série, Cristianne Fridman não apenas concorda, como completa: "O Brasil é um país marcado pela impunidade, e, de uns anos para cá, a imprensa tem divulgado isso com mais liberdade. Acredito que, por conta disso, os vilões, hoje, agem de forma mais clara, menos ardilosa. É como na vida real: tem gente dando tiro, matando e saindo livre na maior cara de pau'', conclui a novelista.

http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=1&n=11931

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